18 de maio de 2013



  Quando eu andava por aí, todo remelento, com catarro na mão e piolhos na cabeça (para quem não entendeu: isto foi uma descrição realista de minha infância), me falavam: não escreva seu nome na calçada, porque podem pisar nele... e pisar no nome, é como pisar na alma.

 Eu fantasiava minha alma sendo pisada e, após alguns anos, descobri que todas serão pisoteadas, tendo o nome riscado no chão ou em algum cheque. Agora, em New York, resolveram inovar. Nomes? Na-na-ni-na-não, vamos usar rostos!

 Incontáveis pessoas passam pela Times Square todos os dias e, o artista francês JR clique aqui, resolveu instalar uma cabine de fotos e criar um painel gigantesco com elas.

 O artista francês começou colocando as fotos em Paris, depois o trabalho ganhou a África e a América. Este projeto, chamado Inside Out New York City, acabará em 10 de maio, mas surgem novas feições a todo instante: na medida que as pessoas passam e tiram as fotos, novos rostos são colados (em cima dos que já passaram), isto significa que próximo transeunte que ver o mosaico irá visualizar uma pessoa que acabou de passar pelo mesmo local.

 (fiquei pensando em algum ser que olha para o chão e encontra o amor de sua vida e sai por toda a cidade procurando a alma gêmea... algo bem Sparks).






16 de maio de 2013

   uma obra única e levemente nociva.     

  Leram o título? É quase uma obrigação ler um livro com este título. A Casa dos Espíritos. Leia novamente! Separe as sílabas: Ca-sa dos es-pí-ri-tos. Arrepiou né?

 Casa dos Espíritos pode ser comparada a uma cidade e cada capítulo, uma esquina. Todas as ruas são detalhadas e possuem uma beleza inerente ao leitor supérfluo. Neste livro-cidade edifica-se a história de duas famílias, Del Valle e Trueba, que se encontram no vai-e-vem corriqueiro do cotidiano.

  Isabel Allende conta história dentro de história, sendo cada passagem um mix de lembranças formadas por micro contos, com flashes atordoantes e segredos arrebatadores.


 Ela revela – porém não muito. Conforme a leitura ganha forma e o leitor consegue entender o contexto que lhe foi situado, a Isabel joga uma realidade nova, desvendando um nó passado que transforma o futuro dos capítulos.

 Após contar a trajetória da família Del Valle Trueba, Isabel Allende finalmente conta o propósito do livro: um romance dramático com pitadas sobrenaturais que ocorre em meio a mudanças políticas.

 Foram vários personagens que incrementaram esta história – tal como é a vida – e, entre tantas voltas, foi criada uma rixa milenar, composta por dores e fragmentos de lutas, pensamentos e desejos infrutíferos e, para esta rixa, fora dado o substantivo “família”. 

 E, quem se dispor a ler este livro, encontrará três gerações de uma família e sua ascendência, com seus palácios e suas favelas, suas glórias e a mesquinhez.  

 Os personagens secundários e terciários são tão desenvolvidos que dá para se perder – e isto é um trabalho difícil para mim, um mísero blogueiro, é tanto enredo (e bom enredo) que tentar explicar é tão difícil quanto parar de lê-lo. Mas eu tenho que dizer: caro leitor, leia A Casa dos Espíritos!

Obrigado Angélica Roz por ter me apresentado esta obra!

14 de maio de 2013

 E se nossos pensamentos moldados pela perfeição fossem trocados por ideias reais? E se os corpos despidos das revistas que compramos (eu não compro, hein!!) não fossem repletos de maquiagem, edições e a visualização da imagem "perfeita". E se tudo estiver fora do lugar e ainda assim ser bonito?

 Estas questões são o princípio do The Nu Project, cuja função é mostrar a real beleza feminina





Matt Blum, fotógrafo lá do U.S.A. tirou fotos de várias americanas, em seu website há milhares de imagens (clique aqui) e ele deu uma entrevista interessante para a Scream & Yell, Matt comentou as diferenças entre Europa e Américas com relação a nudez: 
“na Europa rola uma atitude diferente em relação à nudez. É comum você ver uma modelo de topless em um outdoor, e há mais espaços públicos para andar sem roupa.
No Brasil e nos EUA já existem tabus – com diferenças locais, mas ainda assim, tabus. O biquíni brasileiro não seria aceito nos Estados Unidos, por exemplo, porém ambos os países têm uma barreira com a nudez. No Brasil é ainda mais curioso, porque no Carnaval ela é quase onipresente, mas o resto do ano é tomado de pudor.”

Concordo, concordo e estou salvando estas fotos para por de papel de parede!

12 de maio de 2013




"Em cada abraço, um caminho
Em cada filho, seu trajeto"


11 de maio de 2013


Antes da leitura começar: "Ele é tão pequeninho, tão fácil de ler, irei devorá-lo em segundos"
No meio da leitura: "Óh, Senhor! Este livro parece crianças com remelas: pequenas e chatas!"

Thizi é uma menina não pobre e não rica, que possui um melhor amigo devoto e um ex-namorado que se relaciona com várias outras meninas. Os pais de Thizi são eternos viajantes e, por este motivo, sempre estão viajando e curtindo a vida. Ah, para completar: Thizi encontrou consigo mesmo, uma "replay" de si, que dá conselhos e dicas sobre o futuro.

Tammy Luciano optou por um enredo simples, mas com falhas, listei algumas:
O que é mais fácil?
1. a) botar os pais para fora do país b)  inserir os pais no enredo
2. a) ter dinheiro e liberdade para tudo b) ter limites em um sociedade perigosa


Quem pensou nas respostas "A" conhece muito bem a Thizi... A autora pecou em diversas línguas ao escrever este livro; não consegui me entusiasmar com a leitura e tampouco com as ideias dos personagens. Em cada questão (como o relacionamento parental, a popularidade...) a Tammy arruma desculpas para não desenvolvê-la, tornando o livro supérfluo.


Minhas reações na leitura ponderaram em bocejo e irritações. Irritado pela vida perfeita, pela popularidade, pelos pais; bocejos pela situações catastróficas que a personagem se submetia, os acidentes e os furos na resolução. Não consegui gostar deste livro, e a leitura que era para ser leve e rápida se tornou lenta e cansativa.

Era para ser um livro ficção - mas os elementos ficcionais foram tão mal encaixados que não-ficção se encaixa melhor. Ou isso ou eu não sei mais o que estou lendo.Vale ressaltar que a Tammy Luciano já escreveu diversos textos para o teatro e, para mim, Garota Replay seria melhor se fosse uma peça teatral.

Perdão por ser tão chato, mas realmente não achei uma linha positiva neste livro. 
 
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